A destruição de Jacarepaguá – repercussão

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Olá amigos! Antes de iniciar o seu período de recesso, a Confederação Brasileira de Automobilismo divulgou por meio de sua assessoria de imprensa uma nota dizendo que o seu Departamento Jurídico entrou com um pedido de impugnação contra o edital de construção do Parque Olímpico no local onde se encontra o circuito.

Para você entender o que está acontecendo é o seguinte: Quando cidade do Rio de Janeiro se candidatou para sediar os jogos Pan-americanos, ficou decidido que seria utilizado o terreno de Jacarepaguá para receber as futuras instalações. Foram construídos para esse evento uma arena multiuso, o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo. Na sequência, novamente a cidade se candidatou dessa vez para receber as Olímpiadas de 2016. Com isso, surgiu a necessidade de ampliar suas instalações no local e por consequência desativar definitivamente o Autódromo de Jacarepaguá.

O governo estadual e municipal prometeu construir um novo circuito em Deodoro antes de desativar completamente Jacarepaguá, promessa não cumprida.  Agora a CBA cobra por meio judicial essa promessa.

Eu não estou preocupado quem está com a razão nesse caso da construção de um novo circuito ou complexo esportivo. O que me revolta é a falta de respeito com a história do nosso automobilismo. Até seria mais flexível se estas obras fossem benéficas para a população, mas não serão, pelo contrário, só irão retirar mais alguns reais dos nossos bolsos já vazios… 

Abaixo a nota da CBA

CBA pede impugnação do edital para construção do

Parque Olímpico do Rio

 

CBA entra com pedido de impugnação contra  edital para construção do Parque Olímpico no Rio

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2011 – O Departamento Jurídico da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) apresentou hoje pedido de impugnação ao edital para construção do Parque Olímpico carioca. A obra a ser licitada prevê o uso da área onde está situado o Autódromo de Jacarepaguá e fere o convênio firmado entre a União, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, o Comitê Olímpico Brasileiro e a CBA conforme consta nos autos do processo administrativo 14/200.608/2007. O local onde está situado o circuito foi desapropriado e decretado como de utilidade pública pela Administração Pública através do decreto E 5672/72 com a finalidade da construção do autódromo. O uso dessa área para a construção de um Parque Olímpico está condicionado à construção e entrega de uma nova praça desportiva voltada para esportes a motor de padrão internacional.

A ideia de construir um Parque Olímpico no local onde desde 1978 funciona o Autódromo de Jacarepaguá surgiu no decorrer da candidatura do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

De acordo com acordo registrado na 6ª Vara da Fazenda Pública sob o número 2006.001.031670-0 o Município do Rio de Janeiro se obrigou a recuperar o a Autódromo de Jacarepaguá e construir uma nova pista “de molde a que a praça desportiva automobilística pudesse sediar provas esportivas internacionais”, inclusive GPs de F-1. O início das obras deveria acontecer até junho de 2008 e, em caso de atraso, seria cobrada multa diária de R$ 1.000,00; as obras deveriam ser executadas em 14 meses.

Nesse período ocorreram negociações entre a CBA, o Poder Público e organismos nacionais ligados à candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que convencionaram pela suspensão das obras de adequação do autódromo até a escolha da cidade para esse evento. Quando o Comitê Olímpico Internacional escolheu o Rio para sede ficou acordado que caberia à União Federal e à Prefeitura, conjuntamente com a CBA, identificar uma área de 1.200.000 m² em condições de abrigar um autódromo em apto para a realização de competições de F-1 e um kartódromo de padrão internacional. Somente após a construção e a inauguração desse novo Autódromo Internacional é que o Autódromo de Jacarepaguá seria desativado. O local escolhido para a construção da nova pista já foi definido no bairro de Deodoro e o projeto inclui um complexo que visa resgatar a qualidade de vida da população local.

Outro fato contestado pelo Dr. Felippe Zeraik, Diretor Jurídico da CBA, no Edital publicado na última sexta-feira é a inexistência de consulta pública e da publicação em jornais de grande circulação, conforme consta da Lei Complementar Municipal nr. 105. Esse instrumento determina a divulgação ampla da “justificativa para a contratação, identificação do objeto, o prazo de duração do contrato e seu valor estimado”. Zeraik menciona ainda no documento assinado por ele e pela Dra. Viviane Mallet D´Ávila que do acordo firmado consta que é “de interesse da UNIÃO, da PREFEITURA e da CBA manter na Cidade do Rio de Janeiro um autódromo e um kartódromo com condições de sediar provas desportivas nacionais e internacionais, de todas as categorias, ideia que é apoiada pelo COB.”

Ao comentar sobre a decisão tomada ontem Cleyton Pinteiro, presidente da CBA, reforçou a postura da entidade:

“Não somos contra a realização de uma edição dos Jogos Olímpicos no País, mas não concordamos em fazer com o que o automobilismo pague um preço tão alto e inaceitável para que isso aconteça. Nem tampouco que acordos firmados por cavalheiros, governos e representações esportivas sejam ignorados solenemente.”

Confederação Brasileira de Automobilismo

Assessoria de Imprensa

 

Fonte: Coluna – Pelas Pistas

Samoel Weck é jornalista e apresentador de rádio e TV a 30 anos. Diretor e responsável pela Mídia Carros e Marcas, que engloba o Portal Carros e Marcas e o Programa Carros e Marcas TV.