Conheça como é feita a blindagem automotiva

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Proteção tem sido alternativa contra aumento da criminalidade; membros do Judiciário também têm recorrido aos blindados como forma de segurança
 
A blindagem automotiva tem se tornado alternativa de proteção para cada vez mais brasileiros. A proteção está sendo procurada não somente por cidadãos com medo da crescente violência urbana, mas também por membros do Poder Judiciário temerosos de atentados como o sofrido pela juíza Patrícia Acioli em agosto desse ano. A preocupação é real, tanto que o Supremo Tribunal Federal (STF) está contratando empresa de aluguel de veículos blindados para que seus ministros possam rodar com mais essa ferramenta de segurança. A blindagem utilizada é a de nível III-A, que suporta disparos de armamentos como os modelos 9mm, de uso exclusivo das Forças Armadas, sem que a dinâmica e a performance do veículo seja prejudicada pelo peso acrescido pela proteção.
 
Mas, do que é produzida e como é realizada a proteção blindada em automóveis? “O primeiro passo no procedimento de blindagem é a escolha do nível de proteção. Ela determina as características dos vidros, painéis balísticos e chapas de aço que serão utilizados. Esses materiais são preparados e moldados de acordo com cada tipo de veículo. A mais praticada no país é, justamente, a de nível III-A, que é o mais alto grau de proteção para utilização civil sem a necessidade de permissão especial do Exército Brasileiro, órgão que regulamenta o setor”, explica Fábio Rovedo de Mello, da empresa paulista Concept Blindagens.
 
Para a instalação dos materiais balísticos, algumas partes do carro são desmontadas, principalmente no habitáculo. Todas as áreas internas, como colunas, maçanetas, laterais, inclusive teto, devem receber a proteção. “Empresas que executam o serviço em algumas partes do carro ou somente nos vidros estão agindo de forma irregular, já que a blindagem parcial é proibida pelo Exército Brasileiro. Esse tipo de procedimento, além de ilegal, apenas dá falsa sensação de segurança e não proporciona proteção aos ocupantes do veículo”, alerta Rovedo.
 
Os vidros originais são substituídos por vidros especiais. Os sistemas de acionamento dos vidros elétricos são redimensionados de acordo com cada modelo. Depois de instalado os materiais de proteção, todas as conexões de módulos e eletrônica embarcadas são novamente instaladas. O revestimento interior do veículo é recolocado de modo que o acabamento mantenha a aparência original. O processo completo é realizado, em média, em 30 dias.
 
“Antes de ser entregue o veículo blindado ainda passa por testes de detecção de barulho, infiltração, rodagem, dinâmica, eletrônica e suspensão, complementando o processo de blindagem. Somente então o veículo é liberado ao proprietário, com a garantia de eficácia na proteção”, afirma o executivo da Concept.
 
De acordo com a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), 3.720 veículos foram blindados no país no primeiro semestre de 2011, um aumento de 8,39% na comparação com o mesmo período do ano passado. Do universo total de usuários, 85% são executivos/empresários; 3%, artistas/cantores; 3%, juízes; 2%, políticos; outras ocupações (7%) completam o perfil.
 
Para o presidente da entidade, Christian Conde, “o acompanhamento de perto de todo o processo por parte do proprietário do veículo a ser blindado garante ainda mais tranquilidade. Mas, o mais importante, acima de tudo, é a escolha da empresa que fará o serviço. Não se deve definir a blindadora pelo preço da blindagem, mas por outros fatores. Capacidade e equipe técnica para executar o serviço, certificações e regulamentação junto aos órgãos fiscalizadores do segmento e histórico da empresa no mercado são itens que precisam ser analisados e pesados para a escolha da blindadora que cuidará de seu veículo”, conclui Conde.

Fonte: segs.com.br

Samoel Weck é jornalista e apresentador de rádio e TV a 30 anos. Diretor e responsável pela Mídia Carros e Marcas, que engloba o Portal Carros e Marcas e o Programa Carros e Marcas TV.