Novo Ford EcoSport é flagrado e confirma estilo agressivo

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Não dá para acusar a Ford de não fazer a lição de casa do pós-crise. A fabricante norte-americana corre atrás do prejuízo com dignidade, apostando numa gama enxuta de produtos globais nivelados por cima — em outras palavras, um modelo produzido simultaneamente na Índia e na matriz em Detroit (EUA) deve ter a qualidade de um que fosse produzido somente em Detroit.

A Ford também faz um alto investimento nas tecnologias de propulsão híbrida e elétrica — tema principal da marca já no Salão de Detroit de 2011. Alardeia isso até no Brasil, tendo trazido para cá o (ainda praticamente invendável, devido ao alto preço) Fusion Hybrid, que foi até emprestado à Presidência da República em 2010.

Por fim, aposta na descentralização do desenvolvimento de produtos, atribundo responsabilidades cruciais a polos em locais antes insuspeitados — como o Brasil. E assim (e aqui) nasceu o novo EcoSport.

O carro foi apresentado à imprensa no começo do ano, em Brasília, no mesmo dia em que surgiu no principal salão automotivo indiano. Na verdade, o que os jornalistas puderam ver e tocar (mas não abordar) aqui no Brasil foi o que se chama de "mocape", basicamente uma escultura plástica representando o futuro carro. Tanto ela quanto as fotos de divulgação passavam uma forte impressão de artificialismo, devido à extravagante cor laranja e aos traços e formas algo exagerados (atenção, as imagens limpas do EcoSport que você pode ter visto por aí, e que não sejam do "laranjinha" que aparece nesta reportagem, são meras "projeções artísticas" extra-oficiais).

Mas agora começam a surgir flagrantes do novo EcoSport em testes de rodagem, por ora na região de Camaçari, na Bahia, onde a Ford tem sua fábrica mais importante no país. Dela sairão a nova geração do jipinho este ano e a do New Fiesta (inclusive do recém-lançado hatch) em 2013. E a surpresa, por assim dizer, é que o carro de produção vai ser muito parecido com seu mocape e seus desenhos computadorizados.A enorme grade frontal hexagonal que apareceu nessas prévias do EcoSport vai ser assim mesmo no carro real. 

São soluções do estilo Kinetic 2, que radicaliza a proposta de "aparentar movimento até quando o carro está parado" ao lhe acrescentar uma mistura de agressividade e refinamento, notável principalmente no novo Fusion (conhecido alternativamente como pseudo-Aston Martin) e no Fiesta ST — e que deve se estender para a reformulação do New Fiesta e o facelift do Focus, entre 2013 e 2014.

Na imagem de Bruno Borges, feita no final de fevereiro em Alagoinhas (BA), notam-se outros detalhes interessantes. As rodas de aço dos protótipos são as mesmas já usadas no EcoSport atual, ou muito semelhante a elas, o que indica, juntamente com a capa em plástico preto do retrovisor, e a ausência de repetidor de seta neste, que o futuro jipinho terá uma versão bastante simples — certamente com o motor Sigma 1.6 já amplamente usado pela Ford, enquanto versões mais caras terão propulsor 2.0 e opção de câmbio automático.

Como o mais novo inimigo do EcoSport, o Renault Duster, tem variante com tração 4×4, é provável que a Ford seja obrigada a continuar oferecendo o mesmo sistema numa versão extra-cara do seu jipinho. Nem que seja para fazer de conta que vende.

E então será a hora de saber os preços. Como a Ford do Brasil também parece ter aprendido algumas lições com sua situação difícil no mercado local (correndo o sério risco de ser ultrapassada pela Renault — a do Duster — e deixar de ser uma das "quatro grandes"), quem garante que a tabela não virá camarada?

Afinal, quando o JAC J3 apertou, ela copiou os preços mais baixos do rival chinês, sem mudar um centavo, para o Fiesta Rocam. E, quando o New Fiesta empacou, a fabricante "descobriu" que poderia dar um belo desconto, posicionando o hatch "completaço" na faixa dos R$ 50 mil.

O EcoSport tem sido fundamental para a Ford brasileira desde que surgiu, em 2003, e agora o é mais do que nunca. E não é fácil a vida de quem não pode errar.

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Fonte: Uol

Samoel Weck é jornalista e apresentador de rádio e TV a 30 anos. Diretor e responsável pela Mídia Carros e Marcas, que engloba o Portal Carros e Marcas e o Programa Carros e Marcas TV.