SP – Diretoria da Ceagesp propõe adiar licitação por 15 dias

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A diretoria da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) cogita o adiamento em 15 dias da licitação para a implantação e operação de monitoramento por vídeos, controle de acesso de portarias e ordenação da circulação de veículos e pedestres no entreposto de São Paulo. A decisão partiu após uma onda de manifestações de carregadores, vendedores e permissionários que trabalham no local.

De acordo com Luiz Ramos, diretor operacional da Ceagesp, foram feitas, ontem e hoje, duas reuniões propondo a suspensão da licitação por 15 dias, para que possa se discutir como será o novo funcionamento da cobrança que os manifestantes chamam de "pedágio".

O dirigente negou que a companhia tenha se recusado a negociar com os permissionários. Segundo Ramos, a companhia não abre mão do pedágio, pois uma estimativa feita pela Ceagesp verificou que a companhia gastaria R$ 20 milhões para instalar um sistema de câmeras de monitoramento e obras de remanejamento de trânsito. "A companhia não tem recursos para fazer isso sozinha. Essas obras são para melhorias do próprio mercado", disse o dirigente.

Sobre a alegação dos funcionários, de que os custos da taxa seriam repassadas ao consumidor, Ramos nega essa possibilidade. Segundo o dirigente, o valor total pago de estacionamento não chegaria a R$ 0,0004 por Kg de mercadoria.

A diretoria da Ceagesp alega que a paralisação já prejudica o abastecimento em feiras e mercados de São Paulo, mas não soube dizer a real dimensão do problema. A estimativa é de que 10 t deixem de ser distribuídas por dia. Com a paralisação, algumas mercadorias já começaram a estragar, de acordo com a diretoria da companhia.
Outro lado.

Os comerciantes alegam que o valor do pedágio proposto pela Ceagesp poderão ser repassados ao consumidor. "Esse valor é um absurdo, quem vai vir fazer compras no Ceagesp pagando dez reais para estacionar? Alguém terá que pagar essa conta e a conta vai para o consumidor final", disse o permissionários Oswaldo Gomes, 48 anos.

Na média, os comerciantes deixam de ganhar R$ 10 mil a cada dia parado. O permissionário Hilton Piquera, que lamenta o prejuízo, responsabiliza a diretoria por essa paralisação de dois dias. "Não somos contra haver um controle de veículos, mas queremos transparência e que seja feito com diálogo com os trabalhadores", disse Hilton, que disse que os comerciantes estavam tentando conversar com a diretoria há um mês.

Além disso, completou Hilton, o lucro mensal que a cobrança da taxa deve dar para a empresa que vencer a licitação deve ser de R$ 1,7 milhão e, segundo ele, apenas 4% vai ser empregado em obras de melhorias da Ceagesp. "É um valor exorbitante, com uma justificativa que não faz sentido. Nós já pagamos uma taxa muito grande por fiscalização, segurança e limpeza e não houve melhorias."

Entenda o caso

Segundo a Ceagesp, a polêmica está envolta em um processo licitatório para a implantação e operação de monitoramento por vídeos, controle de acesso de portarias e ordenação da circulação de veículos e pedestres no entreposto de São Paulo. A iniciativa veio em resposta a uma cobrança do Ministério Público para redução de casos de prostituição infantil e tráfico de drogas, denúncias recorrentes no local.

Para viabilizar financeiramente o projeto, a companhia afirma que precisa criar uma taxa para a entrada e a permanência de caminhões no local, que pode chegar até a R$ 60 para caminhões que permaneceram mais de 10 horas no entreposto. Os trabalhadores contestam a medida e afirmam já pagar muitos encargos, e acrescentam que a medida tornará mais caros os alimentos.

Segundo a diretoria da Ceagesp, além de coibir crimes, outro propósito do sistema de vigilância e da cobrança de taxa seria evitar abuso por parte dos caminhoneiros. Os dirigentes afirmam que muitos motoristas deixam o veículo dentro da Ceagesp por até três dias, quando o suficiente para carga e descarga seria de 6h. A cobrança, que começaria efetivamente em 15 meses, segundo eles, inibiria esse tipo de comportamento.

Fonte: Terra

Samoel Weck é jornalista e apresentador de rádio e TV a 30 anos. Diretor e responsável pela Mídia Carros e Marcas, que engloba o Portal Carros e Marcas e o Programa Carros e Marcas TV.