Acidente fatal no primeiro dia do Dakar 2012

O piloto argentino Jorge Andres Martinez Boero (moto n. º 175) foi vítima de uma queda após 55 km da primeira etapa especial entre Mar del Plata e Santa Rosa, esta manhã às 10:19.

Vítima de parada cardíaca resultante de sua queda, o piloto foi atendido 5 minutos depois do acidente pela equipe médica que chegou ao local de helicóptero. Os médicos não conseguiram reanimar o piloto que morreu durante sua transferência para o hospital.

Jorge Martínez Boero era filho de um antigo piloto argentino e sonhava acabar o rali Dakar para homenagear o pai. Tentou em 2011, mas caiu num precipício a um quilômetro do fim da sexta etapa. Esteve oito horas à espera de ajuda, mas salvou-se. O susto não o deteve e voltou neste ano, outra vez com o único desejo de terminar. “Vou dar tudo. O que não nos mata, torna-nos mais fortes”, foi o último tweet deste argentino, que, aos 38 anos, se tornou neste domingo o 21.º piloto a morrer durante uma edição do rali Dakar.

A primeira etapa do Dakar 2012 incluía apenas 57 quilômetros cronometrados, um pequeníssimo grão de areia numa maratona com mais de 8000 km. Só que, numa prova motorizada, o perigo espreita a cada metro. E Martínez Boero sofreu uma queda quando faltavam dois quilómetros para o fim da etapa especial, sofrendo um grave traumatismo no tórax.

“O acidente aconteceu num salto e a moto prendeu-o”, explicou Ignacio Crotto, um responsável da organização, numa das poucas explicações sobre a forma como ocorreu o momento fatal. “Em consequência da queda, o piloto sofreu uma paragem cardíaca”, revelou a organização da prova: “Cinco minutos depois, foi assistido no helicóptero de urgência, mas os médicos da prova não conseguiram reanimá-lo.”

Segundo a contabilidade da agência francesa AFP, Boero é o 21.º piloto a morrer durante um rali Dakar, uma longa lista que começou em 1979 (com o francês Patrick Dodin) e tinha noutro gaulês, o também motard Pascal Terry (2009), a mais recente vítima. Ao todo (incluindo espectadores), 59 pessoas perderam a vida nas 33 edições da mais importante prova de off-road do mundo.

Martínez Boero era o exemplo do aventureiro que vai ao Dakar com o objetivo de chegar ao fim. Estava contente por ter uma moto nova e nem o fato de o seu caminhão de assistência ter ficado irreparável o desanimou: “Não vou baixar os braços. Vou dar tudo e vou chegar a Lima”, escreveu no Twitter, há uns dias. O piloto argentino estava também associado à iniciativa “Dakar Solidário”, em que alguns pilotos participam em ações de apoio a instituições de solidariedade — antes do início da prova, aliás, Boero tinha participado numa recolha de alimentos em Bolívar, a sua terra natal.

A morte de Boero ensombrou o início da prova, relegando para segundo plano uma etapa que, já por si, era apenas um aperitivo, face à curta extensão (57 km), da especial. Nas motos, o chileno Chaleco López foi o mais rápido, batendo o espanhol Marc Coma, por 14 segundos. Ruben Faria foi o melhor português, ao terminar no oitavo posto, a 1m18s do vencedor, e até ficou à frente do seu “chefe”, Cyril Despres, que não foi além do 13.º lugar.

Hélder Rodrigues, por sua vez, perdeu 1m51s (foi 15.º), num dia em que a sua moto teve problemas elétricos: “A moto não pegou no parque fechado e tive de trazer na mão até à partida. Depois desligamos a parte elétrica do roadbook. Agora só quando chegar ao final da etapa é que vamos tentar perceber o que é que está mal. Tentei concentrar-me e perder o menos tempo possível”, salientou o piloto, após o setor cronometrado. Paulo Gonçalves foi 16.º (a 1m57s) e Bianchi Prata 56.º (a 7m46s).

Nos carros, a Mini dominou a primeira etapa, com o russo Leonid Novitskiy que bateu o polonês Krzysztof Holowczyc por cinco segundos e o francês Stéphane Peterhansel por nove. Carlos Sousa foi o melhor português, ao terminar no sexto posto, a 52 segundos do primeiro, enquanto Ricardo Leal dos Santos foi 10.º, a 2m13s do vencedor da etapa e Francisco Pita 126.º, a 43m52s. O qatari Nasser Al-Attiyah, vencedor em 2011, perdeu quase 10 minutos, por causa de um problema no motor e acabou rebocado por Robby Gordon (seu colega na Hummer), enquanto o sul-africano Alfie Cox desistiu, devido a um incêndio no carro.

Fonte: Dakar press

Você também pode gostar...