Envelopamento abandona a ditadura do preto e vira opção para ‘colorir’

Hoje é moda, mas quem não sentiu estranhamento ao ver, pela primeira vez, um carro preto fosco? A novidade rendeu ao Chevrolet Meriva do empresário Paulo Bento uma série de digitais.

– Eu deixava o carro no estacionamento do shopping e, quando voltava, tinha marcas de dedos pra todo lado.

Curiosidade compreensível para a época, 2008. O tal Meriva pode ter sido, ao que tudo indica, um dos primeiros carros particulares na cor preto fosco em terreno nacional. 

De passagem nos Estados Unidos para uma feira de comunicação visual, Bento conta que ficou perplexo ao ver um carro fosco na rua.

– Achei que fosse coisa de algum americano excêntrico, mas depois vi vários modelos daquele jeito. Voltei com a ideia de trazer a moda para cá. 

O preto fosco já não era novidade também na Europa. A BMW, por exemplo, que usa o termo "frozen" (do inglês, congelado) para o que, aqui, se popularizou como “envelopamento”, disponibiliza até seis cores (preto, prata, cinza, azul, azul escuro e branco brilhante) divididas entre as linhas M e Séries 5, 6 e 7. Pete Hupe, gerente de produto para a linha BMW Individual e BMW M, salienta que a moda não deve se espalhar para outros tons.

– Acreditamos que a demanda por esse tipo de cor não se tornará uma tendência, mas sim permanecerá como opção exclusiva para clientes exclusivos.

Prova disso é o BMW M3 Frozen ter uma edição limitada em 20 unidades, sendo apenas quatro para o Brasil.

Se no segmento luxo o envelopamento é apenas para alguns, nos outros, basta ter a partir de R$ 900 para entrar na moda do preto fosco, do branco brilhante, do laranja ou de qualquer outra cor.

A personalização, como faixas e desenhos, também está fazendo a cabeça dos motoristas, que não precisam mais ficar presos ao receio de se "casar" com o veículo, como explica Bento, que hoje tem sete franquias de sua marca Preto Fosco pelo País.

– É possível personalizar o carro do jeito que o proprietário quiser e, na hora de vender, gastar cerca de R$ 300 para remover.

A ditadura cai também para a limitação das cores dos catálogos das fabricantes. A Hyundai, para citar um exemplo, quando lançou o Veloster no Brasil, não deu muitas opções de cores ao consumidor, o que, segundo Bento, fez com que proprietários procurassem o envelopamento.

– Quem quisesse um Veloster branco, na época, tinha de desembolsar R$ 5.000 a mais pela cor. Para envelopar, o custo é de R$ 2.000. Envelopamos mais de 30 Veloster na ocasião.

Segundo ele, agora é a vez do i30 estar na lista dos carros mais envelopados, já que só está disponível nas cores prata e preto.

Como escolher o local para envelopar o carro

Veja os conselhos de Bento para ter bons resultados ao envelopar ou personalizar o veículo.

• O envelopamento deve ser feito em local fechado, com temperatura e umidade controlados e livres de poeira e/ou intempéries que possam comprometer o resultado final.

• Certifique-se de que o envelopamento será feito a seco. A água "ataca" ou agride a cola, mas os problemas – como descolamento – podem ocorrer antes mesmo na remoção.

• A temperatura ideal do espaço em que o envelopamento será feito deve ser entre 20 e 25 graus Celsius. Temperaturas baixas tornam o adesivo ressecado. Temperaturas altas deixam o adesivo muito flexível.

Cuidados que você deve tomar 

Se você optou pelo envelopamento, fique atento às seguintes recomendações.

• Na lavagem, não use mangueira da alta pressão próxima das bordas do adesivo. Ela pode descolar e comprometer a qualidade.

• Não use cera em adesivos foscos, independente da cor. Por serem ásperos, tendem a ficar manchados. Se o adesivo for brilhante, não há problema. O ideal é usar produtos adequados para carros envelopados. Já existe um produto específico no mercado.

Fonte: R7

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